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Como Lula virou a eleição: o mapa dos 10 milhões de votos

São Paulo, Minas e o Nordeste explicam a virada. As medidas do governo no ano eleitoral também entram na conta.

Análise Por Redação A Culpa Não É Minha · · Eleições · 10 min de leitura

Lula ganhou mais de 10 milhões de votos entre o 1º e o 2º turno, e Flávio Bolsonaro, 3,7 milhões. É assim que se explica como Lula virou a eleição de 2026: cresceu muito em São Paulo, virou Minas, ampliou a frente no Nordeste e chegou à reta final com uma série de medidas do governo em vigor.

Pelos números do TSE compilados pelo ND Mais, Lula foi de 53.879.538 votos no 1º turno para 64.256.232 (51,79% dos válidos) no 2º. Flávio foi de 56.104.503 para 59.826.041 (48,21%). A diferença final foi de 4,43 milhões de votos.

No 1º turno, em 4 de outubro, Flávio tinha vencido por 47,03% a 45,16% (Gazeta do Povo). Segundo a Gazeta e a Exame, foi a primeira vez numa eleição presidencial que quem terminou o 1º turno atrás venceu o 2º.

Como Lula virou a eleição: o Sudeste pesou mais que o Nordeste

A explicação preguiçosa é "foi o Nordeste". Os números contam outra história. Lula cresceu em todos os 26 estados e no DF, segundo a Agência Brasil, e o maior salto foi em São Paulo: de 9,5 milhões para 12,1 milhões de votos, 2,6 milhões a mais (Banda B).

Com Minas (1,16 milhão a mais), Rio (872 mil) e Espírito Santo (152 mil), o Sudeste deu a Lula cerca de 4,8 milhões de votos novos, quase metade do crescimento dele. O Nordeste inteiro somou 2,96 milhões, segundo o Estado de Minas.

Flávio manteve a liderança no estado de São Paulo, mas a capital pesou: segundo o analista Fábio Zambeli, ouvido pela Exame, Lula teve vantagem de mais de 11 pontos na cidade. No Rio, Flávio cresceu só pouco mais de 202 mil votos (Agência Brasil).

No Nordeste, Lula ampliou a frente de 4,9 a 6,8 pontos percentuais nos nove estados. Na Bahia, foi de 66,17% para 71,31% dos válidos (Exame).

Até no Sul ele avançou 1,33 milhão de votos (Estado de Minas), 291 mil deles em Santa Catarina, onde Flávio ainda fez 69,42% (ND Mais).

Minas Gerais, o único estado que mudou de lado

Lula venceu em 12 estados, e Flávio, em 14 mais o DF (Exame). Só Minas trocou de lado. No 1º turno, Flávio venceu lá por 5,7 milhões a 5,2 milhões de votos. No 2º, Lula fez 6,35 milhões (Banda B), contra 6,2 milhões do adversário (Agência Brasil), e fechou com cerca de 50,4% dos válidos (Exame).

Traduzindo: em Minas, Lula ganhou 1,16 milhão de votos; Flávio, perto de meio milhão, pelos números arredondados. Foi o retrato em miniatura da eleição.

De onde saíram os votos da virada

Havia três reservatórios de votos entre os turnos:

  • Outros candidatos: somaram 7,8% dos válidos no 1º turno, cerca de 9,3 milhões de votos pelas nossas contas com os totais do TSE.
  • Quem não tinha ido votar: a abstenção caiu de 21,08% para 19,21%, e cerca de 3 milhões a mais compareceram (Terra).
  • Brancos e nulos: caíram de cerca de 5,9 milhões para 4,1 milhões (CNN Brasil).

Somados, dão uns 14 milhões, o crescimento conjunto dos dois finalistas. Pelas nossas contas, Lula ficou com quase três de cada quatro votos novos. É saldo, não rastreamento: há quem troque de lado, quem falte e quem volte às urnas.

Por que os apoios a Flávio não viraram votos

No papel, Flávio ficou com os principais apoios. Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Clariana Barão (DC) fecharam com ele, e Augusto Cury (Avante) também, em 8 de outubro, segundo a CNN Brasil. PP, Republicanos, União Brasil e alas do MDB idem (Metrópoles). Lula teve o apoio dos candidatos de PSTU, UP e PCB, com menos de 1% cada; Renan Santos (Missão), com cerca de 2,24%, não apoiou ninguém (Gazeta do Povo).

Mesmo assim, Flávio cresceu 3,7 milhões. Lição velha: apoio de cúpula não é transferência automática de voto. Do outro lado, a campanha de Lula deu mais espaço ao senador Camilo Santana (PT-CE) e ao governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT) (Exame).

As medidas da reta final

Aqui mora a crítica legítima. Em 17 de setembro, 17 dias antes do 1º turno, Lula anunciou o reajuste de 15,04% do Bolsa Família, com piso de R$ 600 para R$ 691 (Congresso em Foco), valendo desde 1º de outubro. O governo diz que só repôs a inflação pelo INPC desde março de 2023 (Diário do Grande ABC).

Em 14 de outubro, o Senado aprovou por 75 votos a 1 o fim da escala 6x1 (Agência Senado), com votos de governistas e da oposição; só Hamilton Mourão (Republicanos-RS) votou contra. Zambeli cita a medida entre os fatores do resultado, mas diz na Exame que o efeito nas capitais ainda precisa ser estudado.

A lista do governo tem ainda perdão de dívidas de MEIs, novo Desenrola e subsídio a combustíveis (Gazeta do Povo). A Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado, somou R$ 298,4 bilhões em medidas em 2026, R$ 185,7 bilhões deles em crédito subsidiado (CNN Brasil). O Planejamento rebate que medidas diferentes não podem ser somadas sem critério (Gazeta do Povo).

E é legal? A Lei das Eleições (art. 73) proíbe distribuir benefícios gratuitos em ano eleitoral, salvo programas sociais autorizados em lei e já em execução no ano anterior, caso do Bolsa Família. O advogado eleitoral Alexandre Rollo vê violação; o economista Marcos Mendes, do Insper, critica a "total inércia das instituições" (Gazeta do Povo).

No TSE, o ministro André Mendonça extinguiu sem julgar o mérito uma ação do deputado Zé Trovão (PL-SC) contra o reajuste, por falta de legitimidade (Gazeta do Povo). A campanha de Flávio também pediu ao TSE a cassação da candidatura de Lula por disparos de WhatsApp sobre programas sociais feitos com dados oficiais (Jovem Pan, 20/10). Não achamos decisão publicada sobre esse pedido.

E a prorrogação do horário de votação?

No domingo, às 17h03, o ministro Cristiano Zanin, do STF, atendeu a um pedido do PT e prorrogou a votação até as 19h nas seções do país que ainda não tinham fechado. O PT começou citando falta de ônibus na Bahia; o PL, de Flávio, tinha pedido mais tempo só em 19 cidades de SP, PR e SC, por causa de chuvas (Poder360).

Flávio diz que não reconhece o resultado e vai pedir a anulação do 2º turno. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, criticou a decisão de Zanin, mas afirmou que ela não alterou o resultado (Metrópoles). Dados do TSE mostram 34.330 eleitores votando depois das 17h (CNN Brasil). O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) vê chance praticamente nula de anulação e pediu que apoiadores não fossem às ruas (Poder360). A lei e os próximos passos estão no explicador sobre o pedido de anulação de Flávio Bolsonaro.

O que isso muda pra você

  • Se você tem carteira assinada: a jornada máxima cai de 44 para 40 horas semanais, em etapas e sem corte de salário. A primeira, para 42 horas, começa em 15 de dezembro (Senado Notícias).
  • Na conta do país: o Ministério do Planejamento prevê déficit primário (gastar mais do que arrecada, sem contar juros) de R$ 80,9 bilhões em 2026, e a dívida pública estava em 82,9% do PIB em agosto, pelo Banco Central (CNN Brasil). Veja o tamanho do problema na nossa análise da dívida pública do Brasil.
  • No Congresso: o PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada das duas Casas a partir de fevereiro de 2027 (Gazeta do Povo). Veja o retrato do Congresso eleito em 2026.

A nossa leitura

A virada tem explicação, e ela está nos números: grandes cidades do Sudeste, Nordeste mobilizado, Minas virada e o calendário do governo trabalhando a favor do candidato. Dá para reconhecer a eficiência da campanha e, ao mesmo tempo, criticar um ano eleitoral com R$ 298,4 bilhões em medidas, pela conta da IFI, e déficit previsto de R$ 80,9 bilhões.

Para a direita, o recado é desconfortável: apoio de cacique não garante voto, e desta vez Minas e a capital paulista fizeram falta. Nikolas Ferreira resumiu com ironia: "Finalmente o Lula receberá a herança maldita dele mesmo" (O Tempo). A direita perdeu a eleição, mas não perdeu a razão nem a voz. Com a maior bancada do Congresso, o trabalho agora é fiscalizar cada real, defender as instituições e chegar mais forte em 2028 e 2030.

Perguntas frequentes

Como Lula virou a eleição de 2026?

Pelos totais do TSE, Lula ganhou cerca de 10,4 milhões de votos entre os turnos, contra 3,7 milhões de Flávio Bolsonaro. Quase metade do ganho veio do Sudeste, Minas Gerais mudou de lado e cerca de 3 milhões de eleitores a mais foram votar.

Em quais estados Lula virou no 2º turno?

Só em Minas Gerais, onde Flávio tinha vencido no 1º turno e Lula terminou o 2º com cerca de 50,4% dos válidos. Segundo a Exame, Lula venceu em 12 estados, e Flávio, em 14 mais o Distrito Federal.

Quantos votos Lula teve no 2º turno de 2026?

Lula teve 64.256.232 votos, ou 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro teve 59.826.041 (48,21%), uma diferença de 4,43 milhões de votos.

O aumento do Bolsa Família antes da eleição é permitido?

A Lei das Eleições proíbe distribuir benefícios gratuitos em ano eleitoral, mas abre exceção para programas sociais autorizados em lei e já em execução no ano anterior, como o Bolsa Família. Juristas criticaram o reajuste de 15,04%; no TSE, uma ação contra ele foi extinta sem análise do mérito.

Fontes

  1. ND Mais: Resultado das eleições 2026 em números, com dados do TSE, 26/10/2026
  2. Gazeta do Povo: Lula vence em eleição mais confusa dos últimos anos, 25/10/2026
  3. Terra: Segundo turno registra queda de abstenções, brancos e nulos, 26/10/2026
  4. CNN Brasil: 2º turno teve menos votos brancos e nulos do que o 1º, 26/10/2026
  5. Exame: Lula amplia votação em 13 estados e vira em Minas Gerais no 2º turno, 25/10/2026
  6. Agência Brasil: Lula cresce em número de votos em todos os estados; Flávio recua em 6, 26/10/2026
  7. Banda B: São Paulo, Minas e Rio lideram aumento de votos de Lula, 26/10/2026
  8. Estado de Minas: Lula amplia votação em todos os estados no segundo turno, 26/10/2026
  9. CNN Brasil: Veja os partidos que declararam apoio a Flávio Bolsonaro e a Lula, 08/10/2026
  10. Metrópoles: Centrão consolida fama de pé-frio ao apoiar Flávio, 25/10/2026
  11. Gazeta do Povo: Candidatos derrotados no 1º turno começam a definir apoio, 06/10/2026
  12. Congresso em Foco: Lula anuncia primeiro reajuste no Bolsa Família desde 2023, 17/09/2026
  13. Diário do Grande ABC: Bolsa Família é reajustado em 15%; medida vale a partir de outubro, 17/09/2026
  14. Gazeta do Povo: Renan Santos aciona TSE contra reajuste do Bolsa Família; Mendonça será o relator, 17/09/2026
  15. Agência Senado: Senado aprova fim da escala 6x1, 14/10/2026
  16. Senado Notícias: Carga máxima de trabalho passará a 42 horas semanais em 15 de dezembro, 19/10/2026
  17. CNN Brasil: Pacote de bondades de Lula soma quase R$ 300 bi às vésperas do 2º turno, 16/10/2026
  18. Gazeta do Povo: Especialistas alertam que kit-reeleição de Lula fere lei eleitoral, 20/10/2026
  19. Planalto: Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), art. 73, § 10
  20. Jovem Pan: PL aciona TSE contra Lula por envio de mensagens sobre programas sociais, 20/10/2026
  21. Poder360: Cronologia da ampliação do horário de votação no 2º turno, 26/10/2026
  22. Metrópoles: Nunes Marques diz que decisão de Zanin não alterou resultado da eleição, 25/10/2026
  23. CNN Brasil: 34 mil eleitores votaram após as 17h no 2º turno, mostram dados do TSE, 26/10/2026
  24. Poder360: Chance de eleição ser anulada é praticamente nula, diz Nikolas, 26/10/2026
  25. O Tempo: Nikolas Ferreira diz que Lula receberá a herança maldita dele mesmo, 26/10/2026

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